
A Sala de Música
A “saga” protagonizada em conjunto com o Marcelo Tavares teve como momento de ignição a leitura, na Revista Áudio, do seu trabalho no estúdio Ganho do Som. A sala onde tinha montado o actual sistema funcionou muito bem enquanto os equipamentos eram mais “modestos”, leia-se, pequenos. De facto enquanto as colunas tiveram tamanhos do tipo Proac 2.5, Wilson Watt/Puppy, a sala comportava-se com agrado. A passagem das Krell Lat 1 e principalmente a chegada das Wilson Alexandria X2, fizeram ressaltar um problema que estava latente e se tornou insuportável, “era muita sala no som”. A conversa com o Marcelo foi rápida e surpreendeu pela clarividência e honestidade. Feito o diagnóstico fui confrontado com a realidade: por mais dinheiro que gastasse o Marcelo não antevia uma melhoria superior a 25/30{017e57f6c0af53e1ad5964c846f44311243e4f590926a8c96397aa8529c25775} pelo que honestamente não me aconselhava a fazê-lo pois as Alexandria, naquela sala, com os problemas estruturais que apresentava, nunca tocariam de modo a fazer jus ao nome que ostentam. Agradeci a franqueza e, honestamente, cheguei a ponderar dar um passo atrás e trocar as colunas por outras mais “domésticas”, sem os graves que as Alexandria exibem. A desilusão rapidamente tomou a forma de decisão. Voltei a ligar ao Marcelo e surpreendi-o (penso eu) com a pergunta: e se fizéssemos uma sala de raiz para receber as Alexandria, estudada com todos os pormenores para que elas dessem tudo o que tem dentro delas… (e asseguro-vos que é muito!). O Marcelo não queria acreditar…o sonho de fazer uma sala do início ameaçava tornar-se realidade, farto que já andava de resolver problemas criados por outros. Muito poderia dizer-se mas pode resumir-se dizendo que foi um ano(!!!) de água na boca a ver surgir uma obra “estranha” com as paredes todas assimétricas (incluindo o tecto, que não tem as duas partes iguais tanto em inclinação como em comprimento), um monstro de betão que nada tinha a ver com a restante construção. A dedicação do Marcelo foi exemplar pois apesar de estar a 250kms veio sempre acompanhar a obra (definitivamente era o seu “menino” e ele não queria que nada corresse mal…). Como é evidente, pela sua exigência, ficou por vezes desapontado com pormenores, mas nada que não se resolvesse. O importante era que no fim estivesse conforme o projecto. Depois do acerto final, com a imprescindível ajuda de toda a equipa da Imacústica, que agradeço, fiquei a perceber quanto valem umas Alexandria X2 pois antes elas não mostravam 30{017e57f6c0af53e1ad5964c846f44311243e4f590926a8c96397aa8529c25775} da sua realidade. O grave, com a tensão típica de umas Wilson, ganhou uma profundidade, mas com um controlo, que eu não imaginava. Mas mais brilhante, a subtileza com que elas nos apresentam determinados pormenores, aquelas nuances da música que em sistemas menos analíticos desaparecem, fazem esquecer que estamos perante umas colunas com aquele tamanho. Um bom som é aquele que satisfaz plenamente o seu proprietário pois não interessam nada os “tratados” sobre regras de ouro etc, etc. No meu caso sou um especial apreciador de “um grande palco” (grande quer dizer realista, não maior que a verdade, agigantado!). A sala, depois de todo o trabalho de afinação do sistema feito pelo Marcelo sempre com a ajuda do Luis Campos (que agradeço), apresenta um palco com uma largura mas principalmente uma profundidade como eu nunca ouvi (também não conheço tantos sistemas assim…). Ouvir a Carmen de Bizet, com todas as nuances que acontecem em palco, é uma experiência indescritível de realismo, de palpabilidade dos personagens. Lembro-me numa das audições com um amigo, ele questionar-me se um personagem não estaria já em casa do vizinho, tal a profundidade de onde surgia a sua voz. Brilhante!!! Termino lembrando-me da última vez que o Marcelo esteve na sala e o seu comentário: Sr Eduardo, sinto que estou na quarta fila da Gulbenkian! Elucidativo.
Parabéns Marcelo, grande trabalho!
E.V.